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Cinco Perguntas Sobre Remédios

PUBLICADO EM 03/06/2016

As cinco perguntas mais frequentes dos pacientes sobre remédios para dor de cabeça e tratamento preventivo de enxaqueca

Existem muitas opções de tratamento para enxaqueca, cefaleias, dores de cabeça. Remédios para dor de cabeça podem ter dois focos principalmente: prevenção e tratamento da crise. O conceito mais importante do tratamento da enxaqueca é o preventivo, mas quem sofre de dor de cabeça acaba pensando mais nos analgésicos para diminuir ou cortar a dor na hora que ela aparece, e o tratamento muitas vezes não evolui por esta razão, porque a causa da dor de cabeça não foi atingida, e sim apenas a consequência do processo da enxaqueca. As dúvidas sobre os remédios para tratar a enxaqueca ocorrem tanto no tratamento preventivo como agudo.

Os medicamentos preventivos mais usados são da classe dos neuromoduladores (chamados anteriormente de anticonvulsivantes, topiramato e divalproato), antidepressivos (amitriptilina, nortriptilina, venlafaxina, inibidores de recaptação de serotonina), beta-bloqueadores (atenolol, propranolol, metoprolol, nadolol) ou bloqueadores do canal de cálcio (flunarizina). Estas classes são as mais recomedadas nos consensos e guidelines de tratamento de sociedades de especialidade, mas outras classes podem ser usadas também como anti-hipertensivos (candesartan, lisinopril), vitaminas e minerais (melatonina, riboflavina, coenzima q10, magnésio), fitoterápicos (petasitis hibridus, tanacetum parthenium), toxina botulínica, neurolépticos (olanzapina, quetiapina, aripiprazol, clorpromazina).

Os analgésicos podem ser de diversos compostos, as classes de medicamentos para tratamento agudo são os analgésicos simples (paracetamol, dipirona), anti-inflamatórios (naproxeno, diclofenaco, inibidores de cox-2, ketorolaco, ibuprofeno, tenoxicam), ergotaminas, triptanos (rizatriptano, sumatrpitano, zolmitrpitano, naratriptano). Com cautela e absoluto rigor de controle médico, a terapêutica com opióides pode ser uma alternativa a ser considerada.

Vejamos os questionamentos mais frequentes.


1) Este remédio engorda?

A preocupação com o peso é uma verdadeira fobia na nossa sociedade, mais enfática na mulher, há uma verdadeira corrida à perda de peso e regimes, dietas se proliferam. Em qualquer tratamento que seja iniciado para a prevenção da enxaqueca deve considerar-se a aderência do paciente. Se um medicamento tem um perfil de aumentar o peso, as chances de o tratamento ser descontinuado, do paciente parar o remédio são grandes. O médico deve monitorar o peso do paciente no tratamento, pesar na primeira consulta e nos retornos de reavaliação do quadro. Alguns remédios realmente apresentam um potencial para aumentar o peso do paciente, ou por aumentar a fome, ou por obstipação intestinal (intestino preso), e retenção de líquidos. Há medicamentos com mais potencial para aumento de peso, alguns remédios com menos chance, outros tratamentos neutros para mudança do peso, e ainda há a opção de um medicamento que possa diminuir o peso.

A flunarizina é a que mais aumenta peso, seguida dos antidepressivos tricíclicos (amitriptilina), e do divalproato. O topiramato é um medicamento que pode diminuir o peso, pois controla a compulsão alimentar, o ataque voraz a alimentos, como doces e chocolate.

O paciente com enxaqueca deve ser orientado a fazer exercícios físicos que vão favorecer o controle da dor e também ajudar a perda de peso. Mesmo que a escolha do medicamento seja por algum com potencial de aumento de peso, a pessoa deve se cuidar para não deixar a ingesta de calorias na dieta aumentar e também fazer exercícios físicos. Muito cuidado com os remédios para regime, pois muitos pioram a dor de cabeça, podem agravar a irritabilidade, ansiedade, gerar insônia, tremores. Sibutramina e anfetaminas não são recomendadas em pacientes com dor de cabeça recorrente, pois podem agravar muito a dor, crises de dor de cabeça podem aparecer mais fortes e mais frequentes.


2) Vou ficar dependente do medicamento?

Vou ter que tomar este remédio para o resto da vida? Não, o uso de qualquer dos medicamentos preventivos para enxaqueca e outras dores de cabeça não causa dependência. O que ocorre é uma boa resposta, o remédio funciona e o paciente por conta própria decide parar o remédio precocemente, e aí a dor realmente volta, pois não foi feito adequadamente o tratamento. Isto não quer dizer dependência e sim eficácia do tratamento. Costumamos exemplificar tratamentos da enxaqueca com paralelos a outros tratamentos na medicina. Uma coisa que não ocorre na enxaqueca é o padrão de tratamento com antibióticos, toma-se um remédio por 2 semanas e a infecção está curada, com a enxaqueca isto simplesmente não funciona, os tratamentos devem ser mais prolongados. O padrão mais semelhante é o tratamento da hipertensão arterial, pressão alta, ou da depressão. O hipertenso ou diabético não é dependente do remédio, e, sim, faz um tratamento para controlar o seu problema de saúde, se ele não tomar o remédio pode mesmo agravar o seu problema, mas este não é o conceito de dependência.

Os sofredores de enxaqueca sempre perguntam se o tratamento deverá ser realizado para o resto da vida, a resposta é não, mas não há um prazo limitante para parar o tratamento. De novo, lembrando dos tratamentos de hipertensão, depressão ou diabetes, se a pessoa perder peso, ou fizer exercícios físicos ou psicoterapia, o remédio pode ser diminuído e eventualmente retirado, esta retirada deve ser julgada pelo médico, pois é mais complexo retirar um remédio do que iniciá-lo. Portanto, é fundamental que o paciente com enxaqueca se envolva no tratamento e inicie alguma medida não medicamentosa como controle dos desencadeantes, sono regular, exercícios físicos, psicoterapias e outros.


3) Vou ficar sedada(o) , sonolenta(o) com este remédio?

Alguns remédios para dor de cabeça, tanto preventivos quanto analgésicos para crises pode dar sono. O paciente deve ser alertado, pois o início do tratamento pode necessitar de uma paciência para que ocorra uma adaptação. Antidepressivos tricíclicos como a amitriptilina, nortriptilina, e outros antidepressivos como a trazodona e mirtazapina podem dar sono. É frequente que com a enxaqueca ocorra uma dificuldade com o sono, ou uma demora para pegar no sono, ou manter o sono durante a noite, ou mesmo um sono não reparador, quando o paciente acorda cansado. Nestes casos, a escolha de um tratamento preventivo que cause mais sono é adequada.

Há outros medicamentos na hora do dor que podem causar sono, como os compostos que contenham relaxantes musculares, muitos destes remédios contém também cafeína, o que pode reverter esta sonolência. A própria dor de cabeça faz com que a sonolência possa aparecer independente do remédio. Triptanos (rizatriptano, sumatrpitano, zolmitrpitano, naratriptano) podem causar raramente sono após sua ingesta, mas está relacionado a melhora da dor, ou seja, há um relaxamento após a crise passar. Deve ser tomado um cuidado com os remédios que contenham cafeína ou outros estimulantes como o isometepteno (neosaldina), pois o paciente pode ter insônia, ou mais ansiedade com a ingesta excessiva do medicamento. Lembrar que o isometepteno é considerado doping esportivo pelo seu efeito estimulante.


4) Posso beber álcool com este medicamento?

Bebida alcoólica pode, por si só, causar dor de cabeça. Quando se receita um medicamento preventivo, deve se ter um cuidado especial com o efeito do álcool, se a cefaleia for desencadeada frequentemente após o uso de álcool este deve ser retirado, ou minimizado. Quanto às interações com medicamentos temos o efeito na mucosa do estômago quando associado ao uso de anti-inflamatórios. A digestão de alimentos e metabolização de remédios compete com o álcool no fígado, então seu efeito é dose-dependente, ou seja, quanto maior o uso de álcool, pior o efeito colateral. Pode ocorrer também mais tontura, enjôos, sonolência com o uso de álcool. Não vai explodir nada no organismo com o consumo de alguma bebida, uma dose de destilado, ou uma lata de cerveja, ou uma taça de vinho não é ameaçadora à vida da pessoa, mas o melhor é, sem dúvida, evitar.


5) Se tomar analgésicos demais posso ter complicações?

Este remédio ataca o fígado ou estômago? O uso excessivo de remédios analgésicos pode causar uma série de complicações. Anti-inflamatórios podem gerar gastrite, esofagite, e até sangramentos digestivos se usados de forma abusiva e sem recomendação e acompanhamento. O fígado pode ser sobrecarregado com muitos analgésicos, as pessoas podem questionar se o uso de remédio preventivo pode afetar o fígado, mas não se importa com a quantidade de analgésicos que toma. Os remédios preventivos não são lesivos ao fígado, o divalproato pode raramente afetar o fígado elevando as enzimas hepáticas, e eventualmente estas enzimas podem ser monitoradas periodicamente.

O uso abusivo de analgésicos causa cefaleia rebote, quer dizer que se a tomada de analgésicos for frequente, diária ou quase diária, a dor de cabeça pode aparecer por causa da tomada de analgésicos. Os analgésicos que contêm cafeína podem gerar insônia, tremor, ansiedade e agravar também a dor de cabeça.

Este artigo foi escrito e revisado pelo Dr. Mário Peres, última revisão em 22 de maio de 2009.

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