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DOR DE CABEÇA E DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR (DTM): QUAL A RELAÇÃO ENTRE ELAS?

PUBLICADO EM 18/10/2017

DOR DE CABEÇA E DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR (DTM): QUAL A RELAÇÃO ENTRE ELAS?

 

Wagner Hummig

Odontólogo especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial – Universidade Tuiuti do Paraná

Mestre em Farmacologia da Dor – Universidade Federal do Paraná

Coordenador Odontólogo do Setor de Cefaleia e Dor Orofacial do Instituto de Neurologia de Curitiba

 

INTRODUÇÃO

 

O corpo humano possui duas articulações temporomandibulares (ATMs) localizado próximo às orelhas, sendo considerado uma das mais complexas articulações do corpo humano. Além de ser responsável pela conexão da mandíbula com o osso temporal do crânio, também proporciona movimentos mandibulares para frente, para trás, para os lados e o próprio ato de abrir a boca.

Funções importantes do nosso cotidiano são realizadas por uma ATM sadia, tais como a mastigação, deglutição, respiração, fonação e postura, onde os principais músculos da mastigação (masseter, temporal, pterigoideo lateral e pterigoideo medial) desempenham papel fundamental no equilíbrio deste sistema.  

DEFINIÇÃO  

A Academia Americana de Dor Orofacial (AAOP) define a Disfunção Temporomandibular (DTM) como sendo uma expressão coletiva que engloba vários problemas que podem estar relacionados aos músculos mastigatórios, à própria ATM e suas estruturas anexas. A partir do momento que este equilíbrio for fendido, surgirá um quadro disfuncional, e por consequência o principal sintoma virá à tona, a tão temida Dor, sendo que esta pode situar-se na cabeça (tipo pressão e/ou aperto), no ouvido, na ATM e nos músculos do rosto. Outros sintomas também podem estar associados, tais como: estalidos (clicks) na ATM, desvios mandibulares na abertura e fechamento da boca além de limitação (dificuldade) de abertura da boca. 

DTM EM NÚMEROS 

Dados epidemiológicos sugerem que 40% a 75% da população de adultos possuem pelo menos um sinal de DTM e que 33% de indivíduos adultos apresentam pelo menos um sintoma de DTM. Estima-se que aproximadamente 15% da população necessite de tratamento para as desordens temporomandibulares, tornado-a realmente um problema de saúde pública. 

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS   

Estes sintomas de DTM, citados acima, afetam o indivíduo em suas atividades diárias, diminui a qualidade de vida, restringe do convívio social e acarretam alterações psicossociais. Além disso, provoca alto impacto financeiro, pois até o paciente chegar ao Dentista Especialista em DTM e Dor Orofacial (profissional este habilitado pelo Conselho Federal de Odontologia e apto para tratar tais desordens) muitas águas já se passaram, e por que não dizer: tempo gasto, frustrações e até complicações por condutas inadequadas.Em muitas situações os sinais de uma DTM antecedem seus sintomas, por isso deve-se ficar atento às seguintes alterações: dentes fraturados, dentes desgastados, língua e bochechas com marcas de mordiscamento.          

                                                          

DIAGNÓSTICO 

A Associação Internacional de Cefaleia (IHS) relata que existem mais de 200 tipos de dores de cabeça já catalogados e estudados, e dentro desta classificação existem as dores de cabeça provenientes das disfunções da articulação temporomandibulares, mais conhecidas por DTMs.  E de acordo com o critério diagnóstico da IHS, a origem da dor pode ser decorrente do deslocamento do disco articular da ATM, processos de osteoartrite intra-articulares, hipermobilidade articular (abertura de boca acima de 50 milímetros) e dores miofasciais (relacionados aos músculos da região orofacial).   

TRATAMENTO

O tratamento consiste primeiramente no correto diagnóstico destas alterações estruturais por profissional capacitado, tendo por objetivos primordiais: o controle da dor, a redução de sobrecarga articular, a restauração da função fisiológica miofascial e finalmente o reestabelecimento ao regresso para atividades diárias normais.  O especialista em DTM e Dor Orofacial possui um amplo arsenal terapêutico para tratar/controlar as mais diversas formas de DTMs, onde destacam-se: a placa miorrelaxantes, objetivando o equilíbrio ortopédico e neuromuscular da ATM; inativação dos pontos gatilhos musculares através de técnicas infiltrativas e/ou agulhamento seco; prescrições farmacológicas,  no intuito de reduzir o impacto da dor; técnicas de laserterapia, termoterapia, acupuntura e fisioterapia, direcionadas para reabilitação muscular, dentre outras.Em muitas situações poderá haver necessidade de tratamento em equipe, dentro de uma abordagem multidisciplinar, onde o paciente será visto e atendido em sua integralidade.