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CEFALÉIA ASSOCIADA A ATIVIDADE SEXUAL

PUBLICADO EM 18/10/2017

Ana Luiza Silva Tenório Luna Sarmento
Professora Assistente de Medicina da Universidade Federal de Alagoas Neurologia / Eletroneuromiografia / Tratamento com toxina botulínica


INTRODUÇÃO

A dor de cabeça relacionada à atividade sexual foi reconhecida desde o tempo de Hipócrates, mas a ocorrência de uma forma distinta de dor de cabeça associada à relação sexual foi inicialmente relatada por Kritz em 1970. Trata-se de uma dor surda, bilateral, auto-limitada, desencadeada pela atividade sexual que torna-se subitamente intensa no orgasmo, na ausência de qualquer lesão intracraniana. Pode ocorrer em qualquer idade da vida sexual ativa, sendo mais comum em homens do que mulheres. Ocorre independente do tipo de atividade sexual e não se acompanha de sintomas autonômicos ou vegetativos na maioria dos casos.

A dor de cabeça sexual primária é benigna e não é apenas precipitada durante a relação sexual ou orgasmo, pode ocorrer também durante a masturbação. Mesmo que uma causa secundária seja menos comum, é obrigatória sua exclusão de causas subjacentes, como hemorragia subaracnóidea, dissecção arterial e síndrome do vasoespasmo cerebral reversível.



MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

A frequência das crises está relacionada com a frequência da atividade sexual, 80% dos casos localizada difusamente ou na região occipital, 2/3 casos bilateral e 1/3 casos unilateralmente. Não está associada com alteração da consciência, vômitos, sintomas visuais, sensoriais ou motores. Estudos recentes mostraram que até cerca de 40% de todos os casos sofrem um curso crônico de mais de 1 ano.

A síndrome pós ejaculatória consiste em fadiga severa, calor intenso e mialgia generalizada. Estes sintomas ocorrem rapidamente após a ejaculação e só desaparecem após 4 a 7 dias. Os sintomas são tão graves que a atividade sexual é evitada. O conjunto de sintomas é denominado síndrome da doença pós-orgásmica.

DIAGNÓSTICO

A dor de cabeça está relacionada ao esforço físico, dessa forma o paciente deve realizar investigação complementar com exames de imagem e vasculares (tomografia cerebral) para afastar causas secundárias, por exemplo: rompimento de aneurismas, AVC hemorrágico, etc.

Critérios diagnósticos:
A. Pelo menos 2 crises de dor de cabeça e ou pescoço com critérios de B a D;
B. Desencadeada pela atividade sexual e ocorre apenas durante a atividade sexual;
C. Um dos dois ou ambos: aumenta a intensidade com o aumento da excitação sexual / intensidade abrupta explosiva imediatamente antes ou no orgasmo; D. Duração entre 1 minuto e 24 horas com grande intensidade e/ou o máximo de 72 horas com intensidade leve;
E. Não melhor explicada por outro diagnóstico.

MECANISMO DA DOENÇA

As dores de cabeça de tosse, esforço e sexo são síndromes relativamente raras e distintas, mas relacionadas com aumentos rápidos na pressão intra-abdominal.

TRATAMENTO

O tratamento para dor de cabeça que surge depois do ato sexual é feito com o uso de analgésicos como o Paracetamol, pode também ser utilizada uma compressa fria na nuca para aliviar o desconforto.
A dor de cabeça que surge durante ou logo após o sexo geralmente passa em poucos minutos ou algumas horas, mas pode ser indicado buscar ajuda médica quando:
• A dor de cabeça é muito intensa ou surge de forma frequente;
• A dor de cabeça não cessa com analgésicos, e não melhora com uma boa noite de sono;
• A dor de cabeça acaba gerando uma enxaqueca, que se manifesta com dor intensa localizada numa outra parte da cabeça que não seja a nuca.

O neurologista poderá receitar remédios usados contra enxaqueca para prevenir o surgimento da dor nos casos de cefaleia frequentes. Esses remédios podem ter que ser tomados diariamente por aproximadamente 1 mês para depois avaliar se teve o efeito esperado ou se é preciso substituir os remédios por outros. Outras estratégias que também contribuem para o sucesso do tratamento, são bons hábitos de vida como dormir e descansar de forma adequada, fazer exercícios de forma regular e se alimentar bem.