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Destaques IHC2017

PUBLICADO EM 27/09/2017

    Entre os dias 6-10 de Setembro/2017 aconteceu a 18ª edição do Congresso Internacional de Cefaleias (International Headache Congress, IHC2017), promovido pela International Headache Society, da qual a SBCe é filiada. Esse é atualmente o maior evento médico-científico do mundo na área das cefaleias. O congresso contou com a presença de quase 1500 participantes, com aproximadamente 1000 neurologistas, profissionais da saúde e pesquisadores da área oriundos dos 5 continentes. A delegação Brasileira levou 22 especialistas membros da SBCe.



    O primeiro destaque foi a inauguração do Global Patient Advocacy Summit (GPAS), evento pré-congresso reunindo especialistas, patrocinadores do evento, pacientes e ativistas/defensores pró-conscientização sobre as cefaleias, especialmente as migrâneas. Teve como intuito promover maior sensibilização pública e entre especialistas do impacto pessoal e social das cefaleias, além de levantar questões do âmbito da relação médico-paciente que ainda não atendem as demandas desses pacientes plenamente.



    Outro ponto alto do IHC2107 foi a 3ª edição do simpósio da International Headache Alliance, o iHead, uma coalisão entre a IHS e a American Headache Society (AHS) para promover educação continuada em neurologia especializada em cefaleias para jovens residentes e pesquisadores.



    Consolidando o escopo da IHS em educação em medicina/pesquisa nessa área, foram ministrados aos participantes 6 cursos distintos das áreas clínica e de pesquisa.

    Sobre os trabalhos apresentados em palestras e pôsteres, destaques para os resultados positivos em fase final de testes da geração de anticorpos monoclonais contra o CGRP no tratamento preventivo das migrâneas, os neuromoduladores externos como opção não-farmacológica (por enquanto indisponíveis no Brasil) e dados interessantes sobre tratamentos comportamentais no manejo das cefaleias como psicoterapia, dietas e exercício físico. Nessa última categoria, destaque para o prêmio de melhor pôster (na categoria Pesquisador Júnior da IHS) para a suplementação dietética com cetonas, trabalho da Doutoranda Elena Gross (Basiléia, Suíça). Na categoria melhor pôster escolhido pelo público, venceu o excelente trabalho da Dra. Michele Viana (Novara, Itália) sobre aspectos clínicos e fisiopatológicos da aura prolongada.



    Outro destaque, mostrando o grande interesse da IHS em atrair novos pesquisadores para a medicina/pesquisa em cefaleias, foi a 5ª edição do Trainees Excellance Tournament, competição que premia os 2 melhores trabalhos de pesquisadores juniores e residentes, um na pesquisa clínica e outro na pesquisa experimental.

    Nessas respectivas categorias, venceu o estudo da Dra. Julia Marie Hebestreit (Hamburg, Alemanha), mostrando efeito supressor da atividade talâmica em dor de origem trigeminal com topiramato em humanos e da Dra. Inge C. M. Loonen (Estocolmo, Suécia), que mostrou as características funcionais da depressão alastrante cortical induzida não-invasivamente por optogenética em modelo animal de migrânea familiar hemiplégica.



    Representando o Brasil, destacaram-se as palestras do Prof. Dr. Mário Peres (São Paulo-SP), recém-empossado no mesmo congresso como membro dos Trustees da IHS, explanando sobre epidemiologia, critérios diagnósticos e fatores de risco da cefaleia por uso excessivo de medicamentos e a palestra do Dr. Marco Arruda (Ribeirão Preto-SP) sobre comorbidades das cefaleias em adolescentes e crianças.

    Por fim, representando a “velha escola” da cefaliatria, destaque para o Dr. Jes Olesen (Copenhagen, Dinamarca), que recebeu prêmio de reconhecimento especial IHS Lifetime Achievment por sua incomensurável contribuição na área desde a 1ª edição da classificação internacional das cefaleias, e para o Dr. Alan Rapoport (Stanford, USA), que foi eleito membro honorário da IHS.



Por Arão Belitardo de Oliveira