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Uso Excessivo de Analgésicos

PUBLICADO EM 03/06/2016

A alta prevalência das cefaleias colaborou para que se criasse na população o costume de consumir indiscriminadamente analgésicos. Em busca do alívio imediato da dor, as pessoas ingerem analgésicos sem prescrição ou acompanhamento médico. Usam doses progressivamente mais altas desses medicamentos e, desse modo, ao invés de eliminar a dor, contribuem para o agravamento da cefaleia.

Se utilizadas frequentemente em quantidades excessivas, separadamente ou em combinação, esses analgésicos e outras medicações para dor podem perpetuar a cefaleia, tornando-se um problema crônico diário, como tem sido constatado por diversos estudos.

Além disso, muitas vezes não se tem o diagnóstico correto da cefaleia e por isso não se consegue o tratamento adequado.

De acordo com alguns estudos, as pessoas podem chegar a consumir de 14 a 30 comprimidos por semana e alguns, de 10 a 12 por dia. Cada indivíduo chega a usar em média dois a cinco tipos de medicamentos sintomáticos: cafeína; paracetamol; anti-inflamatórios; antiespasmódicos; aspirina; descongestionante nasal e anti-histamínicos; propoxifeno; butalbital; ergotamina; triptanos e narcóticos.

No entanto, tomar esses medicamentos mais de duas vezes por semana, durante três meses seguidos, já induz a cronificação da dor.

Cefaleia induzida por drogas e suas características clínicas

Os aspectos característicos da cefaleia induzida por medicamentos sintomáticos são:

  1. a auto-sustentação;
  2. cefaleia rítmica;
  3. ciclo medicação-cefaleia caracterizado por cefaleia diária ou quase diária e
  4. um irresistível e previsível uso dessas medicações como único meio de obter alívio das cefaleias.

Essas cefaleias apresentam variabilidade na intensidade, tipo e localização. Frequentemente, torna-se difícil distingui-las das cefaleias primárias, motivo pelo qual as medicações foram consumidas. Os sintomas acompanhantes são bastante notáveis na cefaleia induzida por sintomáticos e incluem: astenia, náuseas, agitação, ansiedade, irritação, problemas de memória, dificuldade de concentração e anomalias comportamentais, como depressão e padrão de comportamento neurótico.

Os distúrbios do sono são frequentemente observados nos pacientes com cefaleia induzida por medicamentos sintomáticos, sendo as alterações mais comuns à dificuldade para iniciar e manter o sono e o despertar durante a madrugada com cefaleia intensa. Uma das características mais surpreendentes da cefaleia induzida por sintomáticos é a cefaleia previsível durante a madrugada (entre 2:00 e 6:00 horas), que ocorre em até 46% desses pacientes. A maioria deles consome os sintomáticos durante essas horas da madrugada, quando acordam com a cefaleia e somente a medicação em questão pode aliviar temporariamente a dor.

Alguns indivíduos podem consumir as medicações antecipadamente, pelo receio de uma crise forte de cefaleia que supõem estar prestes a acontecer, levando ao uso desnecessário dessas medicações. A tolerância às medicações cresce, resultando num aumento gradual da frequência de consumo e da quantidade total analgésicos, acompanhada por dependência desses medicamentos e refratariedade aos medicamentos profiláticos.

A falta de resposta ao tratamento é uma das principais características das cefaleias induzidas por sintomáticos. Já foi constatado que pacientes que consumem simultaneamente medicações analgésicas e profiláticas continuam sofrendo de cefaleia diária ou quase diária, ficando assim indicado que os medicamentos profiláticos são ineficazes na prevenção das cefaleias, quando associadas aos analgésicos.

Os estudiosos definem a cefaleia induzida por drogas ou a elas relacionada, como uma cefaleia diária ou quase diária, refratária a tratamento com as seguintes características:

  1. ocorrem em pacientes com cefaleias primárias que utilizam medicamentos sintomáticos com muita frequência, geralmente em quantidades excessivas;
  2. desenvolvimento de tolerância aos analgésicos e piora da dor com a continuidade do uso dessas drogas;
  3. os pacientes podem apresentar sinais de abstinência com a interrupção da medicação, manifestando piora da cefaleia por período de tempo variável (em média três a quatro semanas)
  4. a cefaleia melhora efetivamente após a interrupção dos medicamentos, embora a cefaleia primária torne necessária a manutenção de um tratamento profilático.

Portanto as cefaleias induzidas por medicamentos sintomáticos representam um grande desafio pela complexidade do quadro clínico, envolvendo o uso de múltiplos medicamentos, além de anomalias comportamentais e psicológicas. Dessa forma, se você costuma utilizar essas medicações de alívio com frequência procure um especialista para evitar que esse quadro se instale.

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